Tuesday, March 17, 2009

desencontro 1

Fiquei pelada na cama. A pele no lençol branco, limpo, liso. Superfície pura. Lembrei do dia em que pedi que nos separássemos.

Seus olhos grandes se aprofundaram. Verde-aquático.

De andar, meus tornozelos doíam, mas as pernas estavam relaxadas. Me entretive explorando as possibilidades dos joelhos e do quadril. As mãos e os braços quiseram fazer alguma coisa. Ajustei a posição dos ombros e alonguei os braços. As mãos, em seguida, quiseram apertar as coxas.

Seus olhos haviam crescido pelo choque. Não esperava. Não esperava? Frio em julho.

Não fazia sentido aquilo. Nos amávamos, mas eu precisava de outro mundo, de outros dias, de outras roupas, de outras vozes, de outras mãos e de outras cores de olhos.

O lençol aconchega cada vez mais.

Seus olhos ficaram grandes para sempre:

— Não quero te ver nunca mais.

A descida da rua não acabava. E você ia.

O lençol é infinito.

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