Friday, December 18, 2009

nitidez

Não tivesse eu hoje tocado piano, comprado livros –daqueles que apostamos virem a ser nossos "clássicos pessoais"–, tomado café papeando com o pai e visto um pôr-do sol bonito ao caminhar ouvindo ray charles e betty carter, o atropelamento não teria sido tão sublime.
Já haviam chamado a ambulância, me responderam. A mulher estava deitada de lado, com um travesseiro que lhe arranjaram como apoio para a cabeça. Sua expressão era de dor: cara enrugada. Um táxi protegia de um segundo atropelamento.
Fechei os botões da camisa pólo até o pescoço. Foi o meu reflexo. Lembrei de quando a Dani contou do dia em que saiu da quiropraxia protegendo o peito com as mãos, o que só foi perceber no metrô, alguns quarteirões depois.
Tirei os fones do ouvido por alguns segundos. Depois recoloquei. Não precisavam de mais ninguém ali.
Segui. E até deu gosto sentir como a morte e a vida são nítidas, evidentes.

No comments:

 
Site Meter